A navalha
Ele estava numa escrivaninha bem ao lado da cama onde ela estava deitada. Começou a olhá-la, tranqüilamente lendo seu livro, de bruços. Como era linda, se achava um sortudo ao vê-la ali, só dele.
Ela estava lendo um livro que já não sabia mais qual era o assunto, não conseguia se concentrar com os olhos dele sobre ela. Cansada de ler 5 vezes o mesmo parágrafo ela finalmente voltou sua atenção à ele:
- Quê? Não consigo ler com você me olhando assim.
- Eu não consigo fazer nada com você do meu lado.
- O que você está fazendo?
Ele estava fazendo um trabalho para a facu que era para ontem, ele já estava de dp na matéria mas mesmo assim disse:
- Nada importante...
- Vai, chega por hoje, vem deitar!...não adianta fazer seus trabalhos se você estiver cansado, vai ser menos produtivo...
Ela levantou o edredom e abriu espaço para ele. Ele entrou embaixo das cobertas e a abraçou, estava tão frio aquela noite, sentir o corpo dela contra o seu deu uma sensação de segurança e alívio. Começou a beijá-la com carinho primeiro na testa depois na boca.
Agora a sensação era de desespero, não queria perdê-la nunca! Começou a pensar nas contas, na faculdade, e não pode conter um pequeno fio de lágrimas que escorreu sobre suas bochechas.
Ela gentilmente secou as lágrimas dele e sussurrou em seu ouvido:
- Nós vamos conseguir, estarei sempre aqui. Te amo
Ele arregalou os olhos e surpreso pela ação e pelo fato de acabar de descobrir a mesma coisa disse em estado de choque:
- Também te amo, muito!
Eles dormiram sem se mexer.
Quando ele acordou no dia seguinte ela já havia se levantado, ainda podia sentir o cheiro de seus cabelos no travesseiro, a casa estava vazia. Sem esperar ele ouviu a campainha tocar, se levantou e foi abrir a porta. Era seu amigo, Sérgio.
- Vamos homem! Você não pode ficar assim, já fazem 1 ano e meio. Você abandonou tudo!
Olhando em volta, Sérgio viu a cozinha cheia de pratos sujos sobre a pia, fedia a ovo podre, enxofre, amônia. Moscas sobrevoavam os pratos, sabe-se lá a quanto tempo aquilo estava ali. Não ousaria perguntar quando foi a última vez que ele comeu, pela aparência ele devia estar só bebendo água. Foi ao seu quarto e viu um lugar todo empoeirado, sujo, também fedia, a gente podre e não ovos como a cozinha. No travesseiro viu uma foto no porta retratos, era ela, Ana.
Já fazia 1 ano e meio que ela havia morrido em um acidente de ônibus, ela estava indo buscá-lo na faculdade. Finalmente ele disse alguma coisa:
- Ela estava aqui ontem, eu a senti, ainda sinto seu cheiro no travesseiro, acredite em mim!
- Eu acredito, eu acredito.
Sérgio temia por aquele amigo, que já não reconhecia mais, sabia qual seria seu fim, agora só restava esperar.
Ela estava lendo um livro que já não sabia mais qual era o assunto, não conseguia se concentrar com os olhos dele sobre ela. Cansada de ler 5 vezes o mesmo parágrafo ela finalmente voltou sua atenção à ele:
- Quê? Não consigo ler com você me olhando assim.
- Eu não consigo fazer nada com você do meu lado.
- O que você está fazendo?
Ele estava fazendo um trabalho para a facu que era para ontem, ele já estava de dp na matéria mas mesmo assim disse:
- Nada importante...
- Vai, chega por hoje, vem deitar!...não adianta fazer seus trabalhos se você estiver cansado, vai ser menos produtivo...
Ela levantou o edredom e abriu espaço para ele. Ele entrou embaixo das cobertas e a abraçou, estava tão frio aquela noite, sentir o corpo dela contra o seu deu uma sensação de segurança e alívio. Começou a beijá-la com carinho primeiro na testa depois na boca.
Agora a sensação era de desespero, não queria perdê-la nunca! Começou a pensar nas contas, na faculdade, e não pode conter um pequeno fio de lágrimas que escorreu sobre suas bochechas.
Ela gentilmente secou as lágrimas dele e sussurrou em seu ouvido:
- Nós vamos conseguir, estarei sempre aqui. Te amo
Ele arregalou os olhos e surpreso pela ação e pelo fato de acabar de descobrir a mesma coisa disse em estado de choque:
- Também te amo, muito!
Eles dormiram sem se mexer.
Quando ele acordou no dia seguinte ela já havia se levantado, ainda podia sentir o cheiro de seus cabelos no travesseiro, a casa estava vazia. Sem esperar ele ouviu a campainha tocar, se levantou e foi abrir a porta. Era seu amigo, Sérgio.
- Vamos homem! Você não pode ficar assim, já fazem 1 ano e meio. Você abandonou tudo!
Olhando em volta, Sérgio viu a cozinha cheia de pratos sujos sobre a pia, fedia a ovo podre, enxofre, amônia. Moscas sobrevoavam os pratos, sabe-se lá a quanto tempo aquilo estava ali. Não ousaria perguntar quando foi a última vez que ele comeu, pela aparência ele devia estar só bebendo água. Foi ao seu quarto e viu um lugar todo empoeirado, sujo, também fedia, a gente podre e não ovos como a cozinha. No travesseiro viu uma foto no porta retratos, era ela, Ana.
Já fazia 1 ano e meio que ela havia morrido em um acidente de ônibus, ela estava indo buscá-lo na faculdade. Finalmente ele disse alguma coisa:
- Ela estava aqui ontem, eu a senti, ainda sinto seu cheiro no travesseiro, acredite em mim!
- Eu acredito, eu acredito.
Sérgio temia por aquele amigo, que já não reconhecia mais, sabia qual seria seu fim, agora só restava esperar.
